Quando estamos sentados ao lado da morte, numa sala de espera, no silêncio do medo, tentamos procurar alguma coisa que faça sentido na nossa vida.
Procurar DEUS é uma delas.
Então naquela sala de espera, naquele segundo eu fiz o que tinha que ser feito… procurei DEUS…e o que encontrei é o que vos vou contar a seguir.
Não sei se o DEUS que eu encontrei será o mesmo que o vosso. Mas o meu DEUS não é esse que anda ai nas bocas do mundo.
Não é o DEUS de …”Seja como DEUS quiser “, “Seja feita á vontade de DEUS”, “DEUS te perdoe.
Não é aquele homem de barbas brancas, como diz o meu primo mais novo. Aquele que nos castiga, nos perdoa, que nos faz as vontades se pedirmos muito.
Toda a minha vida estive rodeada por um DEUS que no meu entender era um ser com poderes sobrenaturais que mandava no mundo e em nós.
Mas não! Esse não é o meu DEUS!
Eu posso não ter entendido nada e ser, neste momento, a pessoa mais errada do planeta terra, mas eu encontrei DEUS em mim e em TI!
Encontrei DEUS nos médicos, enfermeiros, família, amigos, desconhecidos, eu encontrei DEUS aqui e ali e ali e do outro lado.
Encontrei DEUS na ponta do bisturi, na lágrima, na folha que cai sobre o parapeito da janela, na chuva de verão, no calor do inverno, no por do sol, nas ondas do mar, no centro da cidade, no meu da confusão, dentro da multidão.
Eu finalmente entendi que tudo é DEUS.
Eu não peço mais perdão ao ceú eu peço-te a ti porque te magoei.
Amar a DEUS sobre todas as coisas. Como é isso possível? Deus é todas as coisas!
Daquele dia em diante eu deixei de usar a palavra DEUS. Porque DEUS para mim é pau e pedra, fogo, ar, terra, carne, amor, sabedoria, ingenuidade, cão, gato, homem, mulher, tudo e todos.
EU sou DEUS e tu es DEUS.
Mesmo tendo encontrado DEUS havia ainda tanto para descobrir e perguntar.
Mas…o mundo encarrega-se de nos levar onde nós precisamos, sem entender bem porque, eu dei por mim sentada, numa sala, a assistir a uma palestra, sobre DEUS!
O motivo pelo qual eu fui á palestra era outro, o tema inicial da palestra era meditação, mas a única coisa sobre a qual meditei foi sobre aquela explicação magnifica que estava a ouvir.
Um senhor calmo e sereno encontrava-se em frente de um pequeno numero de gente e com a paciência de professor primário a ensinar as letras ás crianças ele deu-nos uma magnifica explicação de como podemos entender, visualizar DEUS ou como ele chamou e eu adorei a energia divina. Da explicação dele isto foi o que eu entendei. Espero que vós ajude!
Vamos imaginar uma esfera de luz, luz forte, intensa, mesmo por cima das nossas cabeças essa luz ilumina todo o nosso corpo. Ela alimenta-nos e alimenta-se da nossa energia. Estamos ligados ela permanentemente. O que sentimos é amor, bondade, serenidade, paz. E quanto mais sentimos isso mais energia existe a alimentar essa esfera de luz.
Como somos seres de amor vamos partilhar essa esfera de luz e a nossa energia com a pessoa que está ao nosso lado e a pessoa do lado com a outra do outro lado.
Nesse momento essa esfera está por cima de todos nos e todos estamos ligados a ela. Ela sai daquela sala e estende-se por toda a cidade, pais, continente, planeta, universo e por onde nos nem imaginamos.
Ai todos os seres deste e outro mundo estão ligados entre si e todos fazemos parte dessa energia divina.
Quanto mais amor existir mais essa energia intensifica melhor comunicamos com os outros seres do mundo. Quando digo seres digo tudo. Desde a pessoa á pedra.
Para mim essa esfera de luz é DEUS! Todos fazemos parte dessa esfera por isso todos somos DEUS.
Estarei errada? Será melhor entender DEUS como o punidor, será melhor pedir perdão a ele quando pisamos ou outros? Será?
sábado, 28 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Matar a Culpa
Culpei este mundo e o outro pela minha doença…
Culpei os meus pais porque me fizeram cara pálida… quando eu devia ser índia.
Culpei o medico de família por não me ter assustado… mas fugi do médico que me assustou…
Toda a gente teria culpa do meu suicídio…menos eu… Queria eu acreditar nisto.
Devem estar a pensar porque motivo eu digo que ter um cancro é suicídio, pois bem, esta foi a conclusão mais sensata a que cheguei, poderá ser uma perspectiva errada, mas, foi a ela que me agarrei e foi ela que me consolou.
Pensei… pensei… pensei ... porquê cancro? Porque eu? Se eu não escolhi isto para mim porque sou eu a culpada?
O cancro é uma doença auto-destrutiva. O nosso corpo começa a auto-destruir-se, como tal isso é suicídio. Mas que motivo teria eu para, inconscientemente, ter vontade de me matar?
Peguei num papel e fiz uma retrospectiva da minha vida até então. Aconselho toda a gente a fazer isto de vez em quando.
Cheguei á conclusão que em Janeiro de 2009 eu era outra pessoa, eu estava a ir contra tudo aquilo em que acredito, eu estava a ser tudo aquilo que mais detesto.
Não sou perfeita mas sempre fui de paz, e eu estava em guerra.
Adoro rir, mas só me apetecia chorar.
Adoro estar com amigos, mas não saia do lado dos inimigos.
Eu que sempre fui de amor estava a alimentar-me de ódio.
Para quem me conhece, isto parece impossível, mas é a mais pura das verdades.
Para quem está a ler isto parece que a minha vida desmoronou. Pois é bem verdade, apesar de eu não me ter apercebido. E só agora olhando para traz consigo ver isso.
Eu tinha a família perfeita, os melhores amigos do mundo, o amor da minha vida... mas um emprego para o qual eu me arrastava todos os dias.
Sim é verdade! Basta uma pequenina coisa mal na nossa vida e tudo cai, tal como um castelo de cartas.
Eu amava os miúdos e graúdos que tinha na minha sala, eles sim faziam-me sorrir e era por eles que eu acordava todas as manhãs.
Nos primeiros meses aquele era sem dúvida o meu trabalho favorito, eu adorava o que fazia e era feliz.
Um dia sem darmos conta… lentamente… o ambiente mudou… as pessoas começaram a ser ambiciosas e maldosas. Começaram a haver discussões, bate bocas, todos começamos a andar de punhos fechados, de costas voltadas. Sem sabermos bem porque.
Eu comecei a odiar colegas, mas a ter medo de me afastar deles. Ao lado do inimigo estamos mais seguros.
O ódio dentro de mim trouxe uma enorme tristeza e com o tempo nem os meus meninos conseguiam fazer parar a dor que tinha dentro de mim.
De manhã sentia que não aguentava nem mais um dia… e no final do dia ia para casa a chorar porque já não conseguia dar o melhor de mim.
A podridão daquele ambiente começou por ocupar espaço na minha vida e eu, olhando agora para traz, percebo que já não era a mesma pessoa.
A menina Zen dos fumos e pós mágicos, como uma colega me chamava, acabou por se transformar numa pessoa revoltada com ódios, magoas e com vontade de vingança.
Para além de me transformar numa pessoa má e mesquinha, fizeram-me acreditar que era má profissional, que não tinha valor. O pior de tudo é que houve momentos em que eu acreditei mesmo que isto era verdade. Estava tão fraca que nem coragem tinha para virar as costas, para ir embora.
Um dia tudo mudou na minha vida, graças a um sábio de barbas brancas… Não posso revelar o nome mas ele existe.
Mostrou-me que eu era boa profissional, acreditou em mim, valorizou-me. Finalmente… ganhei um pouco de força… não para lutar, mas para fugir… e fugi… fugi daquele sítio, para sempre.
Acreditava em mim, mas ainda alimentei aquele ódio alguns meses, até saber que estava doente e até entender que fui eu que me deixei adoecer.
Eu deixei a minha alma apodrecer e como consequência o meu corpo começou a auto destruição… Cheguei a tempo e aprendi a lição… mas poderia ter sido tarde de mais.
Deixei para traz um grupo de crianças e graúdos que eu ainda hoje amo e de quem tenho tantas saudades que as vezes o meu peito aperta.
No fundo a culpa não foi de nenhum colega meu… foi só minha, eu é que me deixei corroer pela maldade dos outros… por isso… agora estou na paz… perdoei-me…
Mas quero também dizer que houve colegas que depois de eu fugir, mostraram o seu verdadeiro eu e surpreenderam-me, a esses eu agradeço a amizade… E aproveito para dizer que sim! Gosto de vocês.
A quem me fez sofrer eu desejo uma boa estadia nesta vida e deixo um conselho… “ Os outros são o espelho da nossa alma…tudo o que dizemos deles é simplesmente o que não aceitamos em nós”.
Conhece-te, ama-te e perdoa-te. Como qualquer ser humano mereces ser feliz.
Por isso meus amigos e leitores, fujam daquela família que não vos entende, fujam daquele relacionamento que morreu, fujam daquele emprego que vos mata…
Nós suportamos tudo a solidão, a fome, mas não suportamos a morte…
Podemos até acreditar que teremos mais vidas depois desta…será?
Esta é garantida.. é tua… agarra-a!!!!
Culpei os meus pais porque me fizeram cara pálida… quando eu devia ser índia.
Culpei o medico de família por não me ter assustado… mas fugi do médico que me assustou…
Toda a gente teria culpa do meu suicídio…menos eu… Queria eu acreditar nisto.
Devem estar a pensar porque motivo eu digo que ter um cancro é suicídio, pois bem, esta foi a conclusão mais sensata a que cheguei, poderá ser uma perspectiva errada, mas, foi a ela que me agarrei e foi ela que me consolou.
Pensei… pensei… pensei ... porquê cancro? Porque eu? Se eu não escolhi isto para mim porque sou eu a culpada?
O cancro é uma doença auto-destrutiva. O nosso corpo começa a auto-destruir-se, como tal isso é suicídio. Mas que motivo teria eu para, inconscientemente, ter vontade de me matar?
Peguei num papel e fiz uma retrospectiva da minha vida até então. Aconselho toda a gente a fazer isto de vez em quando.
Cheguei á conclusão que em Janeiro de 2009 eu era outra pessoa, eu estava a ir contra tudo aquilo em que acredito, eu estava a ser tudo aquilo que mais detesto.
Não sou perfeita mas sempre fui de paz, e eu estava em guerra.
Adoro rir, mas só me apetecia chorar.
Adoro estar com amigos, mas não saia do lado dos inimigos.
Eu que sempre fui de amor estava a alimentar-me de ódio.
Para quem me conhece, isto parece impossível, mas é a mais pura das verdades.
Para quem está a ler isto parece que a minha vida desmoronou. Pois é bem verdade, apesar de eu não me ter apercebido. E só agora olhando para traz consigo ver isso.
Eu tinha a família perfeita, os melhores amigos do mundo, o amor da minha vida... mas um emprego para o qual eu me arrastava todos os dias.
Sim é verdade! Basta uma pequenina coisa mal na nossa vida e tudo cai, tal como um castelo de cartas.
Eu amava os miúdos e graúdos que tinha na minha sala, eles sim faziam-me sorrir e era por eles que eu acordava todas as manhãs.
Nos primeiros meses aquele era sem dúvida o meu trabalho favorito, eu adorava o que fazia e era feliz.
Um dia sem darmos conta… lentamente… o ambiente mudou… as pessoas começaram a ser ambiciosas e maldosas. Começaram a haver discussões, bate bocas, todos começamos a andar de punhos fechados, de costas voltadas. Sem sabermos bem porque.
Eu comecei a odiar colegas, mas a ter medo de me afastar deles. Ao lado do inimigo estamos mais seguros.
O ódio dentro de mim trouxe uma enorme tristeza e com o tempo nem os meus meninos conseguiam fazer parar a dor que tinha dentro de mim.
De manhã sentia que não aguentava nem mais um dia… e no final do dia ia para casa a chorar porque já não conseguia dar o melhor de mim.
A podridão daquele ambiente começou por ocupar espaço na minha vida e eu, olhando agora para traz, percebo que já não era a mesma pessoa.
A menina Zen dos fumos e pós mágicos, como uma colega me chamava, acabou por se transformar numa pessoa revoltada com ódios, magoas e com vontade de vingança.
Para além de me transformar numa pessoa má e mesquinha, fizeram-me acreditar que era má profissional, que não tinha valor. O pior de tudo é que houve momentos em que eu acreditei mesmo que isto era verdade. Estava tão fraca que nem coragem tinha para virar as costas, para ir embora.
Um dia tudo mudou na minha vida, graças a um sábio de barbas brancas… Não posso revelar o nome mas ele existe.
Mostrou-me que eu era boa profissional, acreditou em mim, valorizou-me. Finalmente… ganhei um pouco de força… não para lutar, mas para fugir… e fugi… fugi daquele sítio, para sempre.
Acreditava em mim, mas ainda alimentei aquele ódio alguns meses, até saber que estava doente e até entender que fui eu que me deixei adoecer.
Eu deixei a minha alma apodrecer e como consequência o meu corpo começou a auto destruição… Cheguei a tempo e aprendi a lição… mas poderia ter sido tarde de mais.
Deixei para traz um grupo de crianças e graúdos que eu ainda hoje amo e de quem tenho tantas saudades que as vezes o meu peito aperta.
No fundo a culpa não foi de nenhum colega meu… foi só minha, eu é que me deixei corroer pela maldade dos outros… por isso… agora estou na paz… perdoei-me…
Mas quero também dizer que houve colegas que depois de eu fugir, mostraram o seu verdadeiro eu e surpreenderam-me, a esses eu agradeço a amizade… E aproveito para dizer que sim! Gosto de vocês.
A quem me fez sofrer eu desejo uma boa estadia nesta vida e deixo um conselho… “ Os outros são o espelho da nossa alma…tudo o que dizemos deles é simplesmente o que não aceitamos em nós”.
Conhece-te, ama-te e perdoa-te. Como qualquer ser humano mereces ser feliz.
Por isso meus amigos e leitores, fujam daquela família que não vos entende, fujam daquele relacionamento que morreu, fujam daquele emprego que vos mata…
Nós suportamos tudo a solidão, a fome, mas não suportamos a morte…
Podemos até acreditar que teremos mais vidas depois desta…será?
Esta é garantida.. é tua… agarra-a!!!!
Notícia Importante!
A pedido de várias pessoas, e como gosto de cumprir o que prometo, o meu blogue irá continuar!
Todas as segundas-feiras de manhã terão um novo post.
A minha missão daqui para frente é ajudar-vos a voçês e a mim a ser feliz.
A viver com saúde.
Quero ensinar-vos tudo o que aprendi nestes dois ultimos anos de busca de mim mesma.
Beijo.
Todas as segundas-feiras de manhã terão um novo post.
A minha missão daqui para frente é ajudar-vos a voçês e a mim a ser feliz.
A viver com saúde.
Quero ensinar-vos tudo o que aprendi nestes dois ultimos anos de busca de mim mesma.
Beijo.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Resultado Biopsia Ganglio Sentinela...
Lamento ter-vos feito esperar tanto... mas depois de voltar á minha vida normal tinha uma montanha de coisas que precisava fazer... Algumas delas vou falar-vos mais á frente...
Hoje venho para vós dar uma novidade....
O que vão ler a seguir é descrição da minha conversa com o medico do IPO que me está a acompanhar.
Dr.- Bom dia! Pode entrar esta é a minha colega Maria está em estágio e eu vou explicar-lhe a sua situação.
Lucy - Posso me sentar?
Dr. - Não! Pode se despir!
Eu dispo-me o Dr. chama a colega e começa a falar com ela.
Esta menina tinha um sinal na pele que aumentou de diametro, fez cirurgia, enviou a peça para analise e veio brinde.
Eu a ouvir isto e a pensar... Brinde... Tá doido... calhou-me a fava...
E o médico continua... Efectuamos 2º cirurgia com margem de segurança, e o ganglio sentinela... Pararam os dois a olhar para as minhas cicatrizes, ainda com pontos.
E ambos dizeram que estava com muito bom aspecto.
O médico mandou-me vestir, esticou-me a mão e disse-me:
Dr. - Bom o programa das festas é vir agora cá de 6 em 6 mêses.
Eu fiquei branca e amarela e azul... eu que não dormia nada de jeito á pelo menos dois mesês estava á espera de uma noticia importante e o médico cheio de gracinhas.
Com a cara mais deprimente do mundo disse-lhe:
- Dr. entã é o resultado da biopsia ao ganglio?
Responde ele com calma:
- À isso! Isso era mais que certo que ia ser negativo.
E foi assim que eu soube desta maravilhosa noticia... No fundo tanto eu como o médico e todas as pessoaas á minha volta esperavam o melhor e sabiam que isto não iria passar de um susto.
Obrigado a cada um de vós por terem estado do meu lado. Foram a minha âncora neste momento dificil.
E não pensem que o meu blog acaba aqui,nada disso. Agora é que vai começar a parte boa.
Com medo de morrer eu procurei mil formas de me manter saúdavel e decobri outras mil coisas que nos matam.
E é disso que vos vou falar daqui para a frente.
Já ouviram muitas vezes a frase "Não quero morrer saúdavel" pois eu digo-vos antes que quem não morre saúdavel, não vive saúdavel e viver doente não deveria ser a nossa opção.
Porque todos voçês me ajudaram com a vossa energia eu vou ajudar-vos e dar-vos umas dicas de como viver com saude... por muito... muito tempo...ou alguns segundos... mas felizes...
Bem o médico mereceu mesmo as porradas que lhe dei na operação.
Hoje venho para vós dar uma novidade....
O que vão ler a seguir é descrição da minha conversa com o medico do IPO que me está a acompanhar.
Dr.- Bom dia! Pode entrar esta é a minha colega Maria está em estágio e eu vou explicar-lhe a sua situação.
Lucy - Posso me sentar?
Dr. - Não! Pode se despir!
Eu dispo-me o Dr. chama a colega e começa a falar com ela.
Esta menina tinha um sinal na pele que aumentou de diametro, fez cirurgia, enviou a peça para analise e veio brinde.
Eu a ouvir isto e a pensar... Brinde... Tá doido... calhou-me a fava...
E o médico continua... Efectuamos 2º cirurgia com margem de segurança, e o ganglio sentinela... Pararam os dois a olhar para as minhas cicatrizes, ainda com pontos.
E ambos dizeram que estava com muito bom aspecto.
O médico mandou-me vestir, esticou-me a mão e disse-me:
Dr. - Bom o programa das festas é vir agora cá de 6 em 6 mêses.
Eu fiquei branca e amarela e azul... eu que não dormia nada de jeito á pelo menos dois mesês estava á espera de uma noticia importante e o médico cheio de gracinhas.
Com a cara mais deprimente do mundo disse-lhe:
- Dr. entã é o resultado da biopsia ao ganglio?
Responde ele com calma:
- À isso! Isso era mais que certo que ia ser negativo.
E foi assim que eu soube desta maravilhosa noticia... No fundo tanto eu como o médico e todas as pessoaas á minha volta esperavam o melhor e sabiam que isto não iria passar de um susto.
Obrigado a cada um de vós por terem estado do meu lado. Foram a minha âncora neste momento dificil.
E não pensem que o meu blog acaba aqui,nada disso. Agora é que vai começar a parte boa.
Com medo de morrer eu procurei mil formas de me manter saúdavel e decobri outras mil coisas que nos matam.
E é disso que vos vou falar daqui para a frente.
Já ouviram muitas vezes a frase "Não quero morrer saúdavel" pois eu digo-vos antes que quem não morre saúdavel, não vive saúdavel e viver doente não deveria ser a nossa opção.
Porque todos voçês me ajudaram com a vossa energia eu vou ajudar-vos e dar-vos umas dicas de como viver com saude... por muito... muito tempo...ou alguns segundos... mas felizes...
Bem o médico mereceu mesmo as porradas que lhe dei na operação.
terça-feira, 9 de março de 2010
Na casa de banho do IPO
A interminável noite chegou ao fim. O pequeno-almoço em breve estaria a caminho.
Eu já não conseguia aguentar mais a fome, penso que cheguei a ter alucinações ou então a sr.ª do lado levou, mesmo, a noite toda a ressonar.
Chegou o meu pequeno-almoço favorito. Café com leite e pão com manteiga. O néctar dos Deuses.
Estava na hora de levantar da cama, pela primeira vez, depois da operação. Um banho, bem bom, esperava por mim.
Mas naquele banho encontrei um campo de batalha, constituído por mulheres com super poderes.
Na casa de banho, apesar de os chuveiros serem individuais, antes de entrar e quando saiamos, dos chuveiros, ficávamos nuas, perto umas das outras. O que vi não vou esquecer, nunca mais.
Sempre que puder vou gritar aos quatros ventos, o que é o cancro e vou contar cada pormenor de tudo o que senti, vi e vivi. Porque devem vocês pensar! Porque nos humanos só cometemos erros, fazemos o que está errado e com orgulho dizemos, mas eu não quero viver para sempre ou melhor não quero morrer saudável. Sabem que mais, eu quero viver para sempre e quero morrer saudável, com trezentos anos de idade.
Só diz essas barbaridades quem nunca sentiu a morte bem de perto. Ou quem nunca viu, numa casa de banho feminina, onde a beleza deveria ser exposta sem pudor e sem vergonha, mulheres e miúdas, muitas na casa dos 20/30, mutiladas e envergonhadas, a tentar esconder o corpo. Com um olhar triste, como quem começou a guerra e já quer voltar para casa. O peso que carregam nos ombros é enorme, a responsabilidade de se manterem vivas, a felicidade de estarem vivas e o desgosto de não se sentirem sensuais e desejadas é impossivel descrever.
A verdade é que muitas delas, estavam curadas, sem peito, garganta, baço, fígado, apenas com algumas cicatrizes na pele, mas curadas “fisicamente” curadas.
Mas bem lá no fundo sabem o que eu vi? Na casa de banho do IPO eu vi mulheres bem bonitas, com cicatrizes sensuais, que fora dali, poderiam ser símbolo de uma revolta humanista ou femininista, uma vida de cowboys, de armas e facas de rixas e aventuras.
Para quem ficou sem peito, aproveitem a oportunidade e coloquem um peito bem bonito, de dar inveja ao mundo, para quem prefere ficar sem ele, em vez de se esconderem do mundo, choquem-no, mostrem aos mundo que nos somos imortais e estamos a sobreviver á maior guerra do século, o cancro.
Eu apesar de não puder apanhar sol, nunca mais, sempre que puder vou expor as minhas cicatrizes e sempre que me perguntarem porque as tenho, eu vou dizer que combati numa guerra dolorosa, onde as armas eram bisturis, vou mostra-las com orgulho, porque sempre que alguém as ver significa que estou viva e cada dia que passa eu ganho mais um dia.
Fora do IPO as nossas cicatrizes podem ser tudo aquilo que nos quisermos. E acreditem que podem ser bem sensuais e desejáveis.
Eu já não conseguia aguentar mais a fome, penso que cheguei a ter alucinações ou então a sr.ª do lado levou, mesmo, a noite toda a ressonar.
Chegou o meu pequeno-almoço favorito. Café com leite e pão com manteiga. O néctar dos Deuses.
Estava na hora de levantar da cama, pela primeira vez, depois da operação. Um banho, bem bom, esperava por mim.
Mas naquele banho encontrei um campo de batalha, constituído por mulheres com super poderes.
Na casa de banho, apesar de os chuveiros serem individuais, antes de entrar e quando saiamos, dos chuveiros, ficávamos nuas, perto umas das outras. O que vi não vou esquecer, nunca mais.
Sempre que puder vou gritar aos quatros ventos, o que é o cancro e vou contar cada pormenor de tudo o que senti, vi e vivi. Porque devem vocês pensar! Porque nos humanos só cometemos erros, fazemos o que está errado e com orgulho dizemos, mas eu não quero viver para sempre ou melhor não quero morrer saudável. Sabem que mais, eu quero viver para sempre e quero morrer saudável, com trezentos anos de idade.
Só diz essas barbaridades quem nunca sentiu a morte bem de perto. Ou quem nunca viu, numa casa de banho feminina, onde a beleza deveria ser exposta sem pudor e sem vergonha, mulheres e miúdas, muitas na casa dos 20/30, mutiladas e envergonhadas, a tentar esconder o corpo. Com um olhar triste, como quem começou a guerra e já quer voltar para casa. O peso que carregam nos ombros é enorme, a responsabilidade de se manterem vivas, a felicidade de estarem vivas e o desgosto de não se sentirem sensuais e desejadas é impossivel descrever.
A verdade é que muitas delas, estavam curadas, sem peito, garganta, baço, fígado, apenas com algumas cicatrizes na pele, mas curadas “fisicamente” curadas.
Mas bem lá no fundo sabem o que eu vi? Na casa de banho do IPO eu vi mulheres bem bonitas, com cicatrizes sensuais, que fora dali, poderiam ser símbolo de uma revolta humanista ou femininista, uma vida de cowboys, de armas e facas de rixas e aventuras.
Para quem ficou sem peito, aproveitem a oportunidade e coloquem um peito bem bonito, de dar inveja ao mundo, para quem prefere ficar sem ele, em vez de se esconderem do mundo, choquem-no, mostrem aos mundo que nos somos imortais e estamos a sobreviver á maior guerra do século, o cancro.
Eu apesar de não puder apanhar sol, nunca mais, sempre que puder vou expor as minhas cicatrizes e sempre que me perguntarem porque as tenho, eu vou dizer que combati numa guerra dolorosa, onde as armas eram bisturis, vou mostra-las com orgulho, porque sempre que alguém as ver significa que estou viva e cada dia que passa eu ganho mais um dia.
Fora do IPO as nossas cicatrizes podem ser tudo aquilo que nos quisermos. E acreditem que podem ser bem sensuais e desejáveis.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Lucy Rambo - Part 1
Já terminou? Mas...não me doi as costas, nem a axila e já terminou?
Isto deve ser a anestesia geral eu estou a sonhar... só pode.
Este pensamento surgiu em fração de segundos. Rapidamente começei a sentir um calor enorme, uma vontade enorme de vomitar e uma dor na garganta insuportável.
Lentamente, joquei as maõs á garganta, pensei que se tinham enganado e me tinham operado no sitio errado. Ainda não tinha chegado com a mão á garganta o enfermeiro olhou para mim e disse, " Não se preocupe, doi-lhe a garganta de ser entubada eu já sei que está com calor vou já desligar o cobertor e não se preocupe que a nausea vai passar num minuto." Mais uma vez pensei que estava a sonhar, como é que ele sabia aquilo tudo se eu nem tinha falado. Deve ter um enfermeiro com poderes psiquicos, deve ser um anjo.
Num minuto a anestesista veio ter comigo, meiga como sempre, faz-me uma festa na cara e diz. " a menina tem muito mau acordar, quando a tiramos da anestesia deu-me uma estalada daquelas. Bateu nos médicos, nos enfermeiros e tivemos que chamar o maior enfermeiro que temos para a conseguir segurar...", lá atrás o enfermeiro anjo, num gesto tentou exemplificar o tamanho do enfermeiro que me segurou. Por segundo fiquei orgulhosa de mim mesma... assim é que é... Eu disse-vos que tinha batido em alguem e por sinal não foi só numa pessoa, era um gang com facas na mão e eu dei conta deles.
Só é pena eu não me lembrar de nada disso, teria sido o momento mais hilariante da minha visita ao IPO.
Uma hora passou, e eu estava acompanhada da minha batida cardiaca, aquele som lindo de um coração a bater normal, calmo e compassado, informaram-me que me iam levar de volta para o quarto, para eu puder ver a minha familia.
Nestes primeiros momentos lembro-me de pouca coisa, não me lembro de quem me levou de volta, não me lembro de subir o elevador, só me lembro de estar no quarto e ver o meu namorado. Lembro-me do que lhe disse ... "Liga á Beky e diz que não tive sonhos eroticos." De resto lembro-me de pouca coisa.
Dormi, dormi, dormi, e quando acordei, pensando eu que seriam umas sete da manhã, e que o pequeno almoço estava a chegar, entra o enfermeiro do turno da meia noite. Afinal só tinham passado 5 horas, a noite ainda estava a começar e eu já tinha o rabo e os braços dormentes. A única coisa boa sem dúvida era o tramal... Tramal:1 Dores:0.
Foi a noite mais longa da minha vida...
Isto deve ser a anestesia geral eu estou a sonhar... só pode.
Este pensamento surgiu em fração de segundos. Rapidamente começei a sentir um calor enorme, uma vontade enorme de vomitar e uma dor na garganta insuportável.
Lentamente, joquei as maõs á garganta, pensei que se tinham enganado e me tinham operado no sitio errado. Ainda não tinha chegado com a mão á garganta o enfermeiro olhou para mim e disse, " Não se preocupe, doi-lhe a garganta de ser entubada eu já sei que está com calor vou já desligar o cobertor e não se preocupe que a nausea vai passar num minuto." Mais uma vez pensei que estava a sonhar, como é que ele sabia aquilo tudo se eu nem tinha falado. Deve ter um enfermeiro com poderes psiquicos, deve ser um anjo.
Num minuto a anestesista veio ter comigo, meiga como sempre, faz-me uma festa na cara e diz. " a menina tem muito mau acordar, quando a tiramos da anestesia deu-me uma estalada daquelas. Bateu nos médicos, nos enfermeiros e tivemos que chamar o maior enfermeiro que temos para a conseguir segurar...", lá atrás o enfermeiro anjo, num gesto tentou exemplificar o tamanho do enfermeiro que me segurou. Por segundo fiquei orgulhosa de mim mesma... assim é que é... Eu disse-vos que tinha batido em alguem e por sinal não foi só numa pessoa, era um gang com facas na mão e eu dei conta deles.
Só é pena eu não me lembrar de nada disso, teria sido o momento mais hilariante da minha visita ao IPO.
Uma hora passou, e eu estava acompanhada da minha batida cardiaca, aquele som lindo de um coração a bater normal, calmo e compassado, informaram-me que me iam levar de volta para o quarto, para eu puder ver a minha familia.
Nestes primeiros momentos lembro-me de pouca coisa, não me lembro de quem me levou de volta, não me lembro de subir o elevador, só me lembro de estar no quarto e ver o meu namorado. Lembro-me do que lhe disse ... "Liga á Beky e diz que não tive sonhos eroticos." De resto lembro-me de pouca coisa.
Dormi, dormi, dormi, e quando acordei, pensando eu que seriam umas sete da manhã, e que o pequeno almoço estava a chegar, entra o enfermeiro do turno da meia noite. Afinal só tinham passado 5 horas, a noite ainda estava a começar e eu já tinha o rabo e os braços dormentes. A única coisa boa sem dúvida era o tramal... Tramal:1 Dores:0.
Foi a noite mais longa da minha vida...
segunda-feira, 1 de março de 2010
O momento da verdade...
Deitada na maca e a caminho do 2º piso, lá estava eu acompanhada por duas simpáticas enfermeiras.
A cada segundo que o elevador levava a descer começei a sentir-me um pouco nervosa, como asmática que sou a minha respiração começou a ficar dificil, as enfermeiras deram conta e começaram a respirar fundo comigo. Com muita calma e muita simpatia, fizeram tudo para eu me controlar e voltar ao meu estado de calmaria. Não podia ficar com falta de ar ou então não poderia ser operada, e isso estava fora de questão, eu queria e tinha mesmo que ser operada nesse dia.
Levaram-me para uma sala para me preparar. Outra enfermeira veio e informou-me que ia buscar o soro para me colocar, quando o inesperado acontece, uma criança de mais ou menos um ano de idade entra de urgência no bloco. Um enfermeiro veio informar que teriam que preparar o menino para a cirurgia. Uma criança linda, inocente, completamente carequinha,da quimio, e com carinha de quem estava cansado de viver. Ao longo de toda esta minha caminhada nada me fez doer mais o coração que esta criança. E o sofrimento daquela mãe agarrada ao filho, a chorar em silêncio, para o menino não perceber.
Se em algum momento duvidei que existisse algum Deus, seja ele qual for, foi nesse momento.
A enfermeira veio me informar que tinham uma urgência e que eu tinha que esperar mais um pouco.Ela percebeu que estava nervosa ao ver aquela criança e aquele sofrimento, ficou ali do meu lado, a falar e tudo e mais alguma coisa para me distrair.
Nesse momento em que me sentia incrédula, apesar de todas as vezes e pessoas que me dzeram que Deus estaria comigo, tentei com toda a força voltar a acreditar em alguma coisa e não conseguia, foi então que pensei, numa coisa muita sábia que tenho vindo a acreditar cada vez mais, que todos nos somos Deus, e foi então que se fez luz.
No meio da conversa da enfermeira, que eu nem estava a ouvir, eu pensei em todas as pessoas que eu sabia que estavam a pensar em mim naquele momento. Não digo isto por cortesia, digo porque é mesmo verdade, eu senti a mão de todos os meus amigos e familia a tocar-me, lembrei de todas as palavras doces que todos me disseram. Na minha cabeça eu entendi o quanto era importante para cada um deles. Senti um calor magnifico, uma calma que não sei explicar, quando de repente sinto uma mão fria a tocar-me e a dizer " não acredito vai ser operada e estava a dormir, muito bem é dessa calma que precisamos". Era a anestesista e a enfermeira que me vinha colocar o soro. Estava na hora.
Pois é eu não sei se realmente adormeci ou não mas sei sim que os meus amigos e familia estavam todos do meu lado, eu senti, senti mesmo. E agradeço-vos a todos por isso. Enquanto pensavam em mim eu senti-vos, voçês foram o meu Deus, a minha força e estiveram sempre comigo.
Entrei no bloco operatório, que gelo, parecia que estava no polo norte. Mudaram-me para maca onde me iriam operar. E a anestesista começou o seu trabalho.
Perguntou-me a idade, se tinha filhos, eu disse-lhe que não tinha e não queria ter por enquanto, porque queria viajar, ao que ela responde "então agora vai fazer uma viagem". Quando lhe vou responder, ouço alguem dizer, " lucy tenha calma a sua operação terminou e correu tudo bem"... O quê? terminou? já? mas eu tinha ainda que responder á anestesista eu até tinha ainda coisas para lhe perguntar... Eu penso que este foi o motivo pelo qual agora quero dizer tudo a toda a gente, detestei ter ficado com coisas por dizer.
" Isto uma viagem, porque? Vou sonhar durante a anestesia, vou imaginar que estou noutro sitio, vai ser divertido? Vou ver o tunel, a luz, vou-me imaginar fora do meu corpo e ver a operação?"
Era tudo isto que eu queria dizer á anestesista e quando ia dizer já sabia as respostas todas. Não vi nada, não viajei nada, foi uma ausência total, foram duas horas de nada, branco, vazio. Se ela sabia isso, porque é que me disse que eu ia fazer uma viagem, o que será que ela sabe e eu não, que viagem foi essa que não me lembro de nada?
... Agora sei que ela tinha razão, foi mesmo uma viagem, depois eu conto-vos...
A cada segundo que o elevador levava a descer começei a sentir-me um pouco nervosa, como asmática que sou a minha respiração começou a ficar dificil, as enfermeiras deram conta e começaram a respirar fundo comigo. Com muita calma e muita simpatia, fizeram tudo para eu me controlar e voltar ao meu estado de calmaria. Não podia ficar com falta de ar ou então não poderia ser operada, e isso estava fora de questão, eu queria e tinha mesmo que ser operada nesse dia.
Levaram-me para uma sala para me preparar. Outra enfermeira veio e informou-me que ia buscar o soro para me colocar, quando o inesperado acontece, uma criança de mais ou menos um ano de idade entra de urgência no bloco. Um enfermeiro veio informar que teriam que preparar o menino para a cirurgia. Uma criança linda, inocente, completamente carequinha,da quimio, e com carinha de quem estava cansado de viver. Ao longo de toda esta minha caminhada nada me fez doer mais o coração que esta criança. E o sofrimento daquela mãe agarrada ao filho, a chorar em silêncio, para o menino não perceber.
Se em algum momento duvidei que existisse algum Deus, seja ele qual for, foi nesse momento.
A enfermeira veio me informar que tinham uma urgência e que eu tinha que esperar mais um pouco.Ela percebeu que estava nervosa ao ver aquela criança e aquele sofrimento, ficou ali do meu lado, a falar e tudo e mais alguma coisa para me distrair.
Nesse momento em que me sentia incrédula, apesar de todas as vezes e pessoas que me dzeram que Deus estaria comigo, tentei com toda a força voltar a acreditar em alguma coisa e não conseguia, foi então que pensei, numa coisa muita sábia que tenho vindo a acreditar cada vez mais, que todos nos somos Deus, e foi então que se fez luz.
No meio da conversa da enfermeira, que eu nem estava a ouvir, eu pensei em todas as pessoas que eu sabia que estavam a pensar em mim naquele momento. Não digo isto por cortesia, digo porque é mesmo verdade, eu senti a mão de todos os meus amigos e familia a tocar-me, lembrei de todas as palavras doces que todos me disseram. Na minha cabeça eu entendi o quanto era importante para cada um deles. Senti um calor magnifico, uma calma que não sei explicar, quando de repente sinto uma mão fria a tocar-me e a dizer " não acredito vai ser operada e estava a dormir, muito bem é dessa calma que precisamos". Era a anestesista e a enfermeira que me vinha colocar o soro. Estava na hora.
Pois é eu não sei se realmente adormeci ou não mas sei sim que os meus amigos e familia estavam todos do meu lado, eu senti, senti mesmo. E agradeço-vos a todos por isso. Enquanto pensavam em mim eu senti-vos, voçês foram o meu Deus, a minha força e estiveram sempre comigo.
Entrei no bloco operatório, que gelo, parecia que estava no polo norte. Mudaram-me para maca onde me iriam operar. E a anestesista começou o seu trabalho.
Perguntou-me a idade, se tinha filhos, eu disse-lhe que não tinha e não queria ter por enquanto, porque queria viajar, ao que ela responde "então agora vai fazer uma viagem". Quando lhe vou responder, ouço alguem dizer, " lucy tenha calma a sua operação terminou e correu tudo bem"... O quê? terminou? já? mas eu tinha ainda que responder á anestesista eu até tinha ainda coisas para lhe perguntar... Eu penso que este foi o motivo pelo qual agora quero dizer tudo a toda a gente, detestei ter ficado com coisas por dizer.
" Isto uma viagem, porque? Vou sonhar durante a anestesia, vou imaginar que estou noutro sitio, vai ser divertido? Vou ver o tunel, a luz, vou-me imaginar fora do meu corpo e ver a operação?"
Era tudo isto que eu queria dizer á anestesista e quando ia dizer já sabia as respostas todas. Não vi nada, não viajei nada, foi uma ausência total, foram duas horas de nada, branco, vazio. Se ela sabia isso, porque é que me disse que eu ia fazer uma viagem, o que será que ela sabe e eu não, que viagem foi essa que não me lembro de nada?
... Agora sei que ela tinha razão, foi mesmo uma viagem, depois eu conto-vos...
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
A viagem começou...
De volta ao internamento. Parecia que estava num hotel 5 estrelas.
Não é que o aspecto do IPO seja o de um hotel 5 estrelas, mas o atendimento sem dúvida que é.
Enquanto desocupavam uma cama para eu me instalar, uma enfermeira veio falar comigo e perguntar-me algumas coisas que, naquele momento, me pareceram absurdas.
Das quais posso destacar uma que me pareceu “muito estranha”… Se acreditava em DEUS e qual era a minha religião. Não sabia que tinha que me confessar antes de ser operada. Depois pensei, será que só operam católicos?
Em caso de urgência quem queria que eles contactassem primeiro e quem poderia avisar os restantes familiares.
Qual a minha comida favorita e a lista do que comia a cada refeição.
Melhor que um hotel 5 estrelas. Mas a dúvida na minha cabeça permanecia, porque queriam eles saber tudo aquilo?
Depois de um internamento no IPO, entendi o porque daquelas questões.
Eu estava ali para a minha primeira cirurgia, a serio. O resultado daquela cirurgia poderia mudar o rumo da minha vida.
E como é claro nesse dia eu tinha todas as esperanças do mundo, como tal lembrava-me de tudo o que mais gostava e daquilo em que acreditava.
Mas as perguntas deles são a pensar no futuro, naquelas pessoas que perdem a esperança, o cabelo, o apetite, a vontade de viver e a fé.
E quando isso acontece acredito que, nenhuma enfermeira, por mais doce que seja, consiga arrancar dos lábios de alguém, qual o seu prato favorito, a sua religião e, principalmente, quem deseja primeiro que seja informado da sua morta.
Enfim, uma nutricionista veio, também, falar comigo sobre alimentação e perguntar as minhas rotinas alimentares e trocamos algumas ideias.
Tal como já nós disse, mais á frente irei falar da alimentação e de outros cuidados que devemos ter. Uns conselhos de amiga fazem sempre bem. E quem sabe se vocês não seguirão alguns.
Não me consigo esquecer a fome que tinha naquele dia, não sabia ainda a que horas iria ser operada, mas, tinha ordens para a minha última refeição e bebida do dia ser às 9:00h da manhã.
Quem me conhece sabe bem como fico quando não como, pareço um bicho, nem sei como não bati em alguém, quer dizer até bati, mas isso conto-vos depois, um pouco de curiosidade faz sempre bem.
Eu que nem bebo muita água, tive sede o dia todo, incrível, o fruto proibido é mesmo o mais apetecido.
Não vos sei explicar porque, mas a partir da 13:00h comecei a ficar com sono e cheguei mesmo a adormecer.
Mais uma vez, incrível, eu que devia estar nervosa e a subir paredes estava tão calma que mal conseguia manter os meus olhos abertos.
Duas da tarde, a enfermeira veio informar-me que eu iria ser a primeira a ser operada e que estava marcada para 15:00h. Não! Nem ai me senti nervosa, deu-me ainda mais sono.
Três da tarde, tinha chegado a minha hora, mandaram-me despir a roupa toda, vestir uma bata descartável e deitar-me na cama.
Duas enfermeiras chegaram, despedi-me da minha família e a viagem começou.
Não é que o aspecto do IPO seja o de um hotel 5 estrelas, mas o atendimento sem dúvida que é.
Enquanto desocupavam uma cama para eu me instalar, uma enfermeira veio falar comigo e perguntar-me algumas coisas que, naquele momento, me pareceram absurdas.
Das quais posso destacar uma que me pareceu “muito estranha”… Se acreditava em DEUS e qual era a minha religião. Não sabia que tinha que me confessar antes de ser operada. Depois pensei, será que só operam católicos?
Em caso de urgência quem queria que eles contactassem primeiro e quem poderia avisar os restantes familiares.
Qual a minha comida favorita e a lista do que comia a cada refeição.
Melhor que um hotel 5 estrelas. Mas a dúvida na minha cabeça permanecia, porque queriam eles saber tudo aquilo?
Depois de um internamento no IPO, entendi o porque daquelas questões.
Eu estava ali para a minha primeira cirurgia, a serio. O resultado daquela cirurgia poderia mudar o rumo da minha vida.
E como é claro nesse dia eu tinha todas as esperanças do mundo, como tal lembrava-me de tudo o que mais gostava e daquilo em que acreditava.
Mas as perguntas deles são a pensar no futuro, naquelas pessoas que perdem a esperança, o cabelo, o apetite, a vontade de viver e a fé.
E quando isso acontece acredito que, nenhuma enfermeira, por mais doce que seja, consiga arrancar dos lábios de alguém, qual o seu prato favorito, a sua religião e, principalmente, quem deseja primeiro que seja informado da sua morta.
Enfim, uma nutricionista veio, também, falar comigo sobre alimentação e perguntar as minhas rotinas alimentares e trocamos algumas ideias.
Tal como já nós disse, mais á frente irei falar da alimentação e de outros cuidados que devemos ter. Uns conselhos de amiga fazem sempre bem. E quem sabe se vocês não seguirão alguns.
Não me consigo esquecer a fome que tinha naquele dia, não sabia ainda a que horas iria ser operada, mas, tinha ordens para a minha última refeição e bebida do dia ser às 9:00h da manhã.
Quem me conhece sabe bem como fico quando não como, pareço um bicho, nem sei como não bati em alguém, quer dizer até bati, mas isso conto-vos depois, um pouco de curiosidade faz sempre bem.
Eu que nem bebo muita água, tive sede o dia todo, incrível, o fruto proibido é mesmo o mais apetecido.
Não vos sei explicar porque, mas a partir da 13:00h comecei a ficar com sono e cheguei mesmo a adormecer.
Mais uma vez, incrível, eu que devia estar nervosa e a subir paredes estava tão calma que mal conseguia manter os meus olhos abertos.
Duas da tarde, a enfermeira veio informar-me que eu iria ser a primeira a ser operada e que estava marcada para 15:00h. Não! Nem ai me senti nervosa, deu-me ainda mais sono.
Três da tarde, tinha chegado a minha hora, mandaram-me despir a roupa toda, vestir uma bata descartável e deitar-me na cama.
Duas enfermeiras chegaram, despedi-me da minha família e a viagem começou.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Um filme de super Herois ou um exame médico...
Primeiro exame da manhã, não sei o nome, mas pelo que o médico me explicou, faz parte do exame ao ganglio sentinela. Iam me injectar um liquido radioactivo, á volta da minha cicatriz e verificar para que ganglio ele iria migrar. Isto porque? Cada zona do nosso organismo é protegido por um ganglio, como tal, se o meu melanona estivesse a drenar celulas cancerigenas, para o organismo, o ganglio que estava a proteger aquela parte da pele, iria assimilar essas celulas. Resultado, essas celulas iriam começar a espalhar-se pela linfa que por sua vez percorria o organismo e poderia instalar-se em qualquer orgão do corpo. Essas são as chamadas metasteses. Elas são a maior preocupação de qualquer tipo de cancro. Não sei se expliquei isto bem, mas foi assim que entendi.
A parte do radioactivo foi a que mais me emocionou, se bem me lembro, acho que foi assim que surgiu o homem aranha... eu já me estava a imaginar com o liquido a percorrer todas as minhas veias e eu vestida de latex, á espera de ouvir alguém, do outro lado do mundo, a gritar SOCORRO. Mas por outro lado sentinela... parecia-me mais do genero matrix... fiquei um pouco confusa entre o Keanu Reaves e o latex, mas ...O sonho acabou quando o enfermeiro me chamou e me começou a colar uns adessivos, á volta da cicatriz, pelo que entendi assim que tirou o adessivo ficou marcado tudo á volta.
A seguir, levaram-me para uma sala e uma sr.ª DR.ª não muito simpática (talvez a única pessoa no IPO que não é simpatica, tem que haver sempre uma ovelha negra), começou a injectar esse liquido em vários pontos, todos á volta da cicatriz, na zona que estava delimiada. Assim que terminou, uma menina, bem mais simpatica, colocou uma maquina estranha por cima de mim... bem mais estranha que a maquina da TAC e começamos a sessão de... onde está o Liquido... aquela maquina teria que fazer um scan ao meu corpo até descobrirem em que ganglio o liquido estava instalado. Procurou... procurou e ... lá estava ele, onde o médico prévia, debaixo da minha axila direita.
A medica voltou e examinou, com um instrumento que parecia um pendúlo de metal, e confirmou o local do ganglio, pegou numa caneta de acetado e marcou o local.
Se a minha mãe visse aquilo tinha batido na médica, a minha mãe sempre me avisou que pintar na pele com canetas fazia mal, eu estava ali por causa de um cancro de pele, e a dr.ª antipática ainda me vem pintar, com caneta de acetato (mais grave ainda)... pode parecer-vos parvo o que disse anteriormente, mas isto realmente passou-me pela cabeça, o sistema nervoso faz coisas que não entendemos. Eu ia ser operada, mas estava preocupada porque a médica me pintou com caneta de acetato!!!
Terminou esta etapa e eu estava de volta ao internamento.
A parte do radioactivo foi a que mais me emocionou, se bem me lembro, acho que foi assim que surgiu o homem aranha... eu já me estava a imaginar com o liquido a percorrer todas as minhas veias e eu vestida de latex, á espera de ouvir alguém, do outro lado do mundo, a gritar SOCORRO. Mas por outro lado sentinela... parecia-me mais do genero matrix... fiquei um pouco confusa entre o Keanu Reaves e o latex, mas ...O sonho acabou quando o enfermeiro me chamou e me começou a colar uns adessivos, á volta da cicatriz, pelo que entendi assim que tirou o adessivo ficou marcado tudo á volta.
A seguir, levaram-me para uma sala e uma sr.ª DR.ª não muito simpática (talvez a única pessoa no IPO que não é simpatica, tem que haver sempre uma ovelha negra), começou a injectar esse liquido em vários pontos, todos á volta da cicatriz, na zona que estava delimiada. Assim que terminou, uma menina, bem mais simpatica, colocou uma maquina estranha por cima de mim... bem mais estranha que a maquina da TAC e começamos a sessão de... onde está o Liquido... aquela maquina teria que fazer um scan ao meu corpo até descobrirem em que ganglio o liquido estava instalado. Procurou... procurou e ... lá estava ele, onde o médico prévia, debaixo da minha axila direita.
A medica voltou e examinou, com um instrumento que parecia um pendúlo de metal, e confirmou o local do ganglio, pegou numa caneta de acetado e marcou o local.
Se a minha mãe visse aquilo tinha batido na médica, a minha mãe sempre me avisou que pintar na pele com canetas fazia mal, eu estava ali por causa de um cancro de pele, e a dr.ª antipática ainda me vem pintar, com caneta de acetato (mais grave ainda)... pode parecer-vos parvo o que disse anteriormente, mas isto realmente passou-me pela cabeça, o sistema nervoso faz coisas que não entendemos. Eu ia ser operada, mas estava preocupada porque a médica me pintou com caneta de acetato!!!
Terminou esta etapa e eu estava de volta ao internamento.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Preparativos
Andei com o telemóvel atrás, para todo o lado, até para a casa de banho eu o levava, tudo porque a qualquer momento podiam ligar-me do IPO, a informar quando seria a operação.
Só houve um dia, um único dia, que me esqueci do telemóvel na secretária à hora de almoço, e advinham quando me ligaram, sim é verdade foi nesse dia, à hora de almoço.
Por sorte eu tinha dado o número do meu namorado e ligaram-lhe para a informar a data da operação.
Até foi bom ouvir por ele, deu para me manter mais calma, sim porque quando ele me disse, vais ser operada daqui uns dias, eu ia explodindo, as minhas orelhas ficaram tão a ferver, que quase me caíam.
Pois é mais uma etapa, mais preocupações, fazer a mala, não me esquecer de nada, arranjar pijama novo, robe decente, algumas cuecas ainda com os elásticos no sítio, não foi tarefa fácil não pensem.
Tudo pronto, mala feita e já rumo a Lisboa, nem sei o que senti, mas estranhamente estava muito calma, não me sentia triste, simplesmente me lembro de levar o caminho inteiro a remoer em memórias antigas. Coitado do meu namorado que teve que gramar algumas histórias de namorados antigos, daqueles a quem se dá só a mão, mas que nunca mais esquecemos, por ter sido tão ridículo.
Enfim, no meio disto tudo ouve algumas coisas boas, uma delas era o facto de termos casa em Lisboa a 20 minutos do IPO. Um apartamento pequeno, mas acolhedor, decorado pela minha sogra com todas as cores do arco-íris.
Tinha que dar entrada no IPO, no internamento, ás nove da manhã, por isso deitamos cedo, acham que dormi, como se costuma dizer passei pelas brasas.
O medo de morrer na mesa de operações era mais que muito. Eu fiquei tão assustada com o facto de ser anestesia geral, que no dia da operação nem pensei no cancro.
E não me venham com essa treta de qual medo de morrer, a morte não assusta nada e ainda, a mais vulgar frase, quem confia em Deus não tem medo de morrer. Treta… treta…treta… Só diz isso quem não sente a morte em frente de si, que não está doente, porque na hora da verdade, toda a gente por mais fé que tenha faz pactos com o Diabo para puder ficar vivo.
Acordei, tomei um banho decente, coisa que sabia que não conseguir nas próximas semanas e lá deixamos nos para trás o nosso cantinho cor de arco-íris e partimos em direcção ao IPO, directamente ao sexto piso.
O mais me caracterizava nessa manhã o meu sentido de humor. Quem via até pensava que eu estava felicíssima de ali estar.
Chegou a hora, um enfermeiro chegou lá fora, aos bancos da entrada, trazendo uma pasta na mão e pedindo me que o acompanhasse, mostrou-me onde poderia deixar a minha mala e pediu-me que me despachasse porque ainda tinha um exame para fazer antes da operação.
Felizmente deixaram o meu namorado e a mãe dele acompanhar-me.
Tivemos que sair do prédio principal e andamos ainda alguns metros até ao local do exame. Entramos, sentamos o enfermeiro entrou com o meu processo e quando saiu disse para esperar que chamassem o meu nome.
Não demorou nem dez minutos até me chamarem…
Só houve um dia, um único dia, que me esqueci do telemóvel na secretária à hora de almoço, e advinham quando me ligaram, sim é verdade foi nesse dia, à hora de almoço.
Por sorte eu tinha dado o número do meu namorado e ligaram-lhe para a informar a data da operação.
Até foi bom ouvir por ele, deu para me manter mais calma, sim porque quando ele me disse, vais ser operada daqui uns dias, eu ia explodindo, as minhas orelhas ficaram tão a ferver, que quase me caíam.
Pois é mais uma etapa, mais preocupações, fazer a mala, não me esquecer de nada, arranjar pijama novo, robe decente, algumas cuecas ainda com os elásticos no sítio, não foi tarefa fácil não pensem.
Tudo pronto, mala feita e já rumo a Lisboa, nem sei o que senti, mas estranhamente estava muito calma, não me sentia triste, simplesmente me lembro de levar o caminho inteiro a remoer em memórias antigas. Coitado do meu namorado que teve que gramar algumas histórias de namorados antigos, daqueles a quem se dá só a mão, mas que nunca mais esquecemos, por ter sido tão ridículo.
Enfim, no meio disto tudo ouve algumas coisas boas, uma delas era o facto de termos casa em Lisboa a 20 minutos do IPO. Um apartamento pequeno, mas acolhedor, decorado pela minha sogra com todas as cores do arco-íris.
Tinha que dar entrada no IPO, no internamento, ás nove da manhã, por isso deitamos cedo, acham que dormi, como se costuma dizer passei pelas brasas.
O medo de morrer na mesa de operações era mais que muito. Eu fiquei tão assustada com o facto de ser anestesia geral, que no dia da operação nem pensei no cancro.
E não me venham com essa treta de qual medo de morrer, a morte não assusta nada e ainda, a mais vulgar frase, quem confia em Deus não tem medo de morrer. Treta… treta…treta… Só diz isso quem não sente a morte em frente de si, que não está doente, porque na hora da verdade, toda a gente por mais fé que tenha faz pactos com o Diabo para puder ficar vivo.
Acordei, tomei um banho decente, coisa que sabia que não conseguir nas próximas semanas e lá deixamos nos para trás o nosso cantinho cor de arco-íris e partimos em direcção ao IPO, directamente ao sexto piso.
O mais me caracterizava nessa manhã o meu sentido de humor. Quem via até pensava que eu estava felicíssima de ali estar.
Chegou a hora, um enfermeiro chegou lá fora, aos bancos da entrada, trazendo uma pasta na mão e pedindo me que o acompanhasse, mostrou-me onde poderia deixar a minha mala e pediu-me que me despachasse porque ainda tinha um exame para fazer antes da operação.
Felizmente deixaram o meu namorado e a mãe dele acompanhar-me.
Tivemos que sair do prédio principal e andamos ainda alguns metros até ao local do exame. Entramos, sentamos o enfermeiro entrou com o meu processo e quando saiu disse para esperar que chamassem o meu nome.
Não demorou nem dez minutos até me chamarem…
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O expoente da Loucura
Lá estava eu. Mais aliviada e pronta para a batalha seguinte.
O passo a seguir era fazer todos os exames que o médico tinha pedido.
Analises ao sangue, raio x ao tórax, electrocardiograma e a TAC.
Os primeiros exames, fiz no IPO tudo no mesmo dia.
A TAC que era o exame que o médico tinha mais urgência foi o que demorou mais tempo.
A TAC é muito fácil de fazer, tirando o facto que temos que beber um litro de um líquido horroroso.
Depois de beber o liquido, deitamo-nos numa maca e a máquina vai passando lentamente á volta do nosso corpo. Temos que suster a respiração quando nos pedem, mas não é nada doloroso, aliás até é bem engraçado parece que estamos numa nave espacial e que ela está a levantar voo.
Foi pedido com urgência mas mesmo assim demorou uma semana e meia.
Essa semana foi um verdadeiro martírio, mais um… Eu sabia que estava a fazer a TAC para ver se tinha tumores em algum sítio do meu organismo.
Acreditem que se até então me tinha doido um coisinha aqui e outra ali, nessa semana foi de doidos, doeu-me tudo.
Não conseguia respirar fundo porque me doía, quando tocava no estômago e no fígado as dores eram mais que muitas, não podia fechar os braços porque sentia que os gânglios estavam inchados (o que era um mau sinal, gânglios inchados significava que o melanoma poderia estar a drenar células cancerígenas para o sistema linfático), tudo o que era gânglios me doía, eu apalpava o peito vezes sem conta, cada vez que ponha a mão sentia uma coisa diferente.
Eu ia dando em maluca, por momento senti até que tinha chegado á barreira da minha sanidade mental. Mais um passo uma dor e tinham que me internar no Júlio de Matos.
Os exames lá chegaram, quando peguei no relatório fiz me de todas as cores. Tinha um traço não sei de que no pulmão e qualquer coisa na vesícula.
Sabem o que me veio logo á cabeça não é… “pronto isto está espalhado pelo corpo e não me vou safar desta”… passado uns segundos lá me acalmei e pensei, e que tal se eu procurar estes nomes estranhos na Internet.
Por um lado eu sabia que era um risco, podia ser alguma coisa mortal e nesse caso eu não sei o que faria, mas de certo que iria arrancar para Lisboa, para o IPO, não sei bem fazer o quê mas lá logo pensava nisso. Por outro lado podia ser uma coisinha de nada e eu iria dormir um pouco mais descansada.
Lá optei por correr o risco e qual não é o meu espanto quando descubro que … afinal eu tinha umas pedritas na vesícula e um pouco do pulmão murcho isso porque devia ter algum brônquio obstruído e não deixava passar o oxigénio. Normal eu sou asmática tenho sempre os brônquios obstruídos.
Resultado, por momentos senti-me feliz por ser asmática e ter pedras na vesícula, que fantástico. Ambas as coisas tinham remédio a vesícula cuidados com a alimentação, cuidados esses que eu já estava a ter por causa do cancro (mais á frente irei falar-vos sobre isso) e fazer exercícios respiratórios para fazer o ar passar para a parte de pulmão que estava com dificuldades.
A minha mãe levou os exames ao médico, que depois de ver fez um sorriso e disse que estava tudo bem e que eu estava pronta para a segunda operação. Mais umas semanas e chamavam-me.
Já sei, estão curiosos para saber se eu continuei com dores em algum sítio, a resposta é não, claro que não, era só psicológico, mas ia-me levando á loucura.
O passo a seguir era fazer todos os exames que o médico tinha pedido.
Analises ao sangue, raio x ao tórax, electrocardiograma e a TAC.
Os primeiros exames, fiz no IPO tudo no mesmo dia.
A TAC que era o exame que o médico tinha mais urgência foi o que demorou mais tempo.
A TAC é muito fácil de fazer, tirando o facto que temos que beber um litro de um líquido horroroso.
Depois de beber o liquido, deitamo-nos numa maca e a máquina vai passando lentamente á volta do nosso corpo. Temos que suster a respiração quando nos pedem, mas não é nada doloroso, aliás até é bem engraçado parece que estamos numa nave espacial e que ela está a levantar voo.
Foi pedido com urgência mas mesmo assim demorou uma semana e meia.
Essa semana foi um verdadeiro martírio, mais um… Eu sabia que estava a fazer a TAC para ver se tinha tumores em algum sítio do meu organismo.
Acreditem que se até então me tinha doido um coisinha aqui e outra ali, nessa semana foi de doidos, doeu-me tudo.
Não conseguia respirar fundo porque me doía, quando tocava no estômago e no fígado as dores eram mais que muitas, não podia fechar os braços porque sentia que os gânglios estavam inchados (o que era um mau sinal, gânglios inchados significava que o melanoma poderia estar a drenar células cancerígenas para o sistema linfático), tudo o que era gânglios me doía, eu apalpava o peito vezes sem conta, cada vez que ponha a mão sentia uma coisa diferente.
Eu ia dando em maluca, por momento senti até que tinha chegado á barreira da minha sanidade mental. Mais um passo uma dor e tinham que me internar no Júlio de Matos.
Os exames lá chegaram, quando peguei no relatório fiz me de todas as cores. Tinha um traço não sei de que no pulmão e qualquer coisa na vesícula.
Sabem o que me veio logo á cabeça não é… “pronto isto está espalhado pelo corpo e não me vou safar desta”… passado uns segundos lá me acalmei e pensei, e que tal se eu procurar estes nomes estranhos na Internet.
Por um lado eu sabia que era um risco, podia ser alguma coisa mortal e nesse caso eu não sei o que faria, mas de certo que iria arrancar para Lisboa, para o IPO, não sei bem fazer o quê mas lá logo pensava nisso. Por outro lado podia ser uma coisinha de nada e eu iria dormir um pouco mais descansada.
Lá optei por correr o risco e qual não é o meu espanto quando descubro que … afinal eu tinha umas pedritas na vesícula e um pouco do pulmão murcho isso porque devia ter algum brônquio obstruído e não deixava passar o oxigénio. Normal eu sou asmática tenho sempre os brônquios obstruídos.
Resultado, por momentos senti-me feliz por ser asmática e ter pedras na vesícula, que fantástico. Ambas as coisas tinham remédio a vesícula cuidados com a alimentação, cuidados esses que eu já estava a ter por causa do cancro (mais á frente irei falar-vos sobre isso) e fazer exercícios respiratórios para fazer o ar passar para a parte de pulmão que estava com dificuldades.
A minha mãe levou os exames ao médico, que depois de ver fez um sorriso e disse que estava tudo bem e que eu estava pronta para a segunda operação. Mais umas semanas e chamavam-me.
Já sei, estão curiosos para saber se eu continuei com dores em algum sítio, a resposta é não, claro que não, era só psicológico, mas ia-me levando á loucura.
Etiquetas:
TAC: melanona; cancro; exames médicos
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Consulta no IPO Lisboa
No dia 21 de Dezembro, lá ia eu a caminho do IPO para a minha consulta de cirurgia de melanoma.
Até ao dia da consulta mantive-me calma, sentia me triste e sem esperança, mas tentava não pensar no assunto.
Mas ao atravessar a ponte Vasco da Gama, senti um aperto no Coração. Comecei a imaginar o que o médico me poderia dizer e como devem calcular tudo o que me vinha à cabeça era “ você tem mais uns meses de vida” ou “não podemos fazer mais nada por si”. Durante uns minutos senti que estava a ter um ataque de pânico em silêncio. Não queria de modo algum partilhar os meus pensamentos mórbidos com a minha família, que estava talvez tão em pânico como eu.
À medida que íamos chegando perto do IPO eu sentia o meu pensamento a acelerar e o meu coração abrandar, a minha sentença ia ser ditada.
Chegamos. Ao contrario do que eu pensava, na ala de consulta de cirurgia de melanoma, não vi ninguém com aspecto de doente, magros e sem cabelo, era simplesmente uma sala de espera normal com gente normal, que tal como eu, deviam apenas esperar um veredicto.
Calculo que todos eles estariam tão em pânico como eu, mas todos naquela sala estamos a sofrer em silencio, um silencio quase tão profundo como a doença que todos partilhávamos, um cancro, silencioso, sorrateiro, que aparece sem dores, sem tonturas, sem enjoos, sem sintomas, mas, que quando chega arrasa todas as nossas esperanças, crenças e futuro…
Lá ao fundo, passa um médico, alto, moreno na casa dos 30, entre piadas acerca da beleza do médico e o nervosismo, lá percebemos que aquela era o médico para o qual eu tinha consulta.
Era chegada a hora, o médico mandou entrar, não pensei em mais nada, nem bom nem mau, estava a guardar as forças escutar a minha sentença.
Pois é afinal, o medo era tanto que só no final da consulta cheguei à conclusão que ouve muitas palavras que o médico não uso, tais como quimioterapia, radioterapia, morrer, nada feito, alias tudo o que o médico me disse era positivo e cheio de esperança.
Ele começou por me explicar o tipo de melanoma que eu tinha. Disse-me que o passo que teríamos que seguir, era efectuar um alargamento das margens à volta da minha última cirurgia e retirar um gânglio, possivelmente debaixo da axila, para enviar para analise,. Eles chamam de gânglio sentinela, no meu caso ia ser feito o melanoma tinha mais que 1mm.
E pronto este era o veredicto, uma nova cirurgia, desta vez mais profunda e com anestesia geral. Mais uma preocupação para mim, anestesia geral… enfim… mais uma experiência….
Ouve algo muito importante que o médico disse " cada caso é um caso" e acreditar é meio caminho para a cura... Não me esqueçerei nunca...
Até ao dia da consulta mantive-me calma, sentia me triste e sem esperança, mas tentava não pensar no assunto.
Mas ao atravessar a ponte Vasco da Gama, senti um aperto no Coração. Comecei a imaginar o que o médico me poderia dizer e como devem calcular tudo o que me vinha à cabeça era “ você tem mais uns meses de vida” ou “não podemos fazer mais nada por si”. Durante uns minutos senti que estava a ter um ataque de pânico em silêncio. Não queria de modo algum partilhar os meus pensamentos mórbidos com a minha família, que estava talvez tão em pânico como eu.
À medida que íamos chegando perto do IPO eu sentia o meu pensamento a acelerar e o meu coração abrandar, a minha sentença ia ser ditada.
Chegamos. Ao contrario do que eu pensava, na ala de consulta de cirurgia de melanoma, não vi ninguém com aspecto de doente, magros e sem cabelo, era simplesmente uma sala de espera normal com gente normal, que tal como eu, deviam apenas esperar um veredicto.
Calculo que todos eles estariam tão em pânico como eu, mas todos naquela sala estamos a sofrer em silencio, um silencio quase tão profundo como a doença que todos partilhávamos, um cancro, silencioso, sorrateiro, que aparece sem dores, sem tonturas, sem enjoos, sem sintomas, mas, que quando chega arrasa todas as nossas esperanças, crenças e futuro…
Lá ao fundo, passa um médico, alto, moreno na casa dos 30, entre piadas acerca da beleza do médico e o nervosismo, lá percebemos que aquela era o médico para o qual eu tinha consulta.
Era chegada a hora, o médico mandou entrar, não pensei em mais nada, nem bom nem mau, estava a guardar as forças escutar a minha sentença.
Pois é afinal, o medo era tanto que só no final da consulta cheguei à conclusão que ouve muitas palavras que o médico não uso, tais como quimioterapia, radioterapia, morrer, nada feito, alias tudo o que o médico me disse era positivo e cheio de esperança.
Ele começou por me explicar o tipo de melanoma que eu tinha. Disse-me que o passo que teríamos que seguir, era efectuar um alargamento das margens à volta da minha última cirurgia e retirar um gânglio, possivelmente debaixo da axila, para enviar para analise,. Eles chamam de gânglio sentinela, no meu caso ia ser feito o melanoma tinha mais que 1mm.
E pronto este era o veredicto, uma nova cirurgia, desta vez mais profunda e com anestesia geral. Mais uma preocupação para mim, anestesia geral… enfim… mais uma experiência….
Ouve algo muito importante que o médico disse " cada caso é um caso" e acreditar é meio caminho para a cura... Não me esqueçerei nunca...
Etiquetas:
cirurgia,
ganglio sentinela,
Melanoma maligno
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A Noticia
Lá estava eu em casa de baixa, até parece impossível eu que me recusava a faltar ao trabalho para ir ao médico, estava em casa. È verdade, e sem peso de consciência.
Há dois dias que esperava por um telefonema, do médico, para saber o resultado da biopsia, do sinal. Estava cada vez mais ansiosa e bem no fundo do meu peito alguma coisa me dizia que eu ia ter uma má notícia. Devo ser bruxa porque não falhei.
Eram 11 da manhã, quando o médico me ligou, pela voz dele entendi logo que as noticias não eram boas. Felizmente, este médico era um médico a sério e soube dar-me a notícia da melhor maneira. “As notícias não são as que estávamos à espera, mas fique calma porque tudo se resolve. Eu posso ligar a um colega no IPO (Instituto Português de Oncologia) e você pode ser seguida lá por eles.”
Sabem o que mais me confortou foi ouvir o médico dizer “ se fosse comigo ou alguém da minha família eu gostava de ser seguido pelos melhores e os melhores estão no IPO, se você aceitar eu envio-a para lá.”Claro que eu queria ser seguida pelos melhores, eu queria ficar viva. Muito calmamente, o médico, mais uma vez explicou-me o que iria ser feito e marcamos para dali dois dias para eu ir retirar os pontos da minha primeira cirurgia e para marcar consulta no IPO.
Corri para os braços do meu namorado e chorei como uma louca: Sentia-me tão mal, tão triste, tão lá no fundo, sentia-me sem esperanças.
Tudo o que eu queria ouvir era que estava tudo bem e naquele momento eu tive a certeza que estava tudo mal. E já era tarde para eu puder fazer alguma coisa. Eu já tinha feito tudo o que não devia.
No dia 18 de Dezembro, dia da minha consulta, o simpático dr. falou ao telefone com o colega do IPO e a minha consulta ficou marcada para essa mesma semana, sexta-feira dia 21 de Dezembro. Entregou-me um envelope com uma carta para o colega e o relatório da biopsia.
Melamona Maligno 1.1mm; clark 4;
E é claro que depois da notícia corri todos os sites da Internet á procura de tudo o que falasse de cancro de pele, melhor dizendo melanoma maligno. Li as piores coisas que podia algum dia ler na vida, se soubesse que ia ser assim tinha ficado na ignorância, teria me sentido mais feliz, menos preocupada e paranóica. Sim porque depois de ter lido todos os sintomas, posso vos dizer que tive todos eles.
Nota telemóvel: Consulta no IPO dia 21 Dezembro; 9:30h.
Há dois dias que esperava por um telefonema, do médico, para saber o resultado da biopsia, do sinal. Estava cada vez mais ansiosa e bem no fundo do meu peito alguma coisa me dizia que eu ia ter uma má notícia. Devo ser bruxa porque não falhei.
Eram 11 da manhã, quando o médico me ligou, pela voz dele entendi logo que as noticias não eram boas. Felizmente, este médico era um médico a sério e soube dar-me a notícia da melhor maneira. “As notícias não são as que estávamos à espera, mas fique calma porque tudo se resolve. Eu posso ligar a um colega no IPO (Instituto Português de Oncologia) e você pode ser seguida lá por eles.”
Sabem o que mais me confortou foi ouvir o médico dizer “ se fosse comigo ou alguém da minha família eu gostava de ser seguido pelos melhores e os melhores estão no IPO, se você aceitar eu envio-a para lá.”Claro que eu queria ser seguida pelos melhores, eu queria ficar viva. Muito calmamente, o médico, mais uma vez explicou-me o que iria ser feito e marcamos para dali dois dias para eu ir retirar os pontos da minha primeira cirurgia e para marcar consulta no IPO.
Corri para os braços do meu namorado e chorei como uma louca: Sentia-me tão mal, tão triste, tão lá no fundo, sentia-me sem esperanças.
Tudo o que eu queria ouvir era que estava tudo bem e naquele momento eu tive a certeza que estava tudo mal. E já era tarde para eu puder fazer alguma coisa. Eu já tinha feito tudo o que não devia.
No dia 18 de Dezembro, dia da minha consulta, o simpático dr. falou ao telefone com o colega do IPO e a minha consulta ficou marcada para essa mesma semana, sexta-feira dia 21 de Dezembro. Entregou-me um envelope com uma carta para o colega e o relatório da biopsia.
Melamona Maligno 1.1mm; clark 4;
E é claro que depois da notícia corri todos os sites da Internet á procura de tudo o que falasse de cancro de pele, melhor dizendo melanoma maligno. Li as piores coisas que podia algum dia ler na vida, se soubesse que ia ser assim tinha ficado na ignorância, teria me sentido mais feliz, menos preocupada e paranóica. Sim porque depois de ter lido todos os sintomas, posso vos dizer que tive todos eles.
Nota telemóvel: Consulta no IPO dia 21 Dezembro; 9:30h.
A Minha Primeira Operação!
Como devem calcular até ao dia da operação não dormi nada de nada. Mas recusava-me a falar no assunto.
Na minha cabeça a única coisa que eu tinha a certeza é que queria que me tirassem aquela coisa das costas.
Nesta altura, ainda nenhum dos meus amigos sabia de nada. Afinal digam-me como é que se conta uma coisa destas a um amigo. Olá tudo bem? Como vai a vida? Tenho cancro. Beijo. Foi por isto que não vos disse antes, desculpem-me. Na verdade até há pouco tempo tinha um medo horroroso de dizer a palavra cancro.
Decidi não ir procurar nada na Internet, quanto menos souber melhor.
No dia 3 de Dezembro lá estava eu ás 14h horas, na sala de espera, ansiosa, com medo, e a rir ás gargalhadas sabem como eu sou?
O médico chama-me, um Sr. com um sorriso tão doce e lindo que me só de olhar para ele fiquei mais calma. Pediu que me sentasse e lá começou o interrogatório.
Antes sequer de ver o sinal e depois de eu lhe ter contar o que o outro médico tinha dito, ele explicou-me com muito detalhe o que iria acontecer, caso o meu sinal fossa na verdade um cancro de pele.
Explicou-me que me iria retirar o sinal, com anestesia local e com alguma margem. Depois iria enviar o sinal para um laboratório para efectuar a biopsia. Se a biopsia informasse que era maligno, então iriam ter me operar de novo e retirar com mais margens de segurança e dependendo do tamanho da lesão poderiam ter que efectuar outra operação para retirar um gânglio. Parou de explicar ai e disse que tínhamos que ir um passo de cada vez. Não era necessário avançar mais até porque cada caso é um caso.
Só então depois desta lengalenga toda o Sr. Dr. Pediu para ver o meu sinal. Não comentou nada de especial, apenas disse que teríamos mesmo que o remover uma vês que cresceu de tamanho e tinha algumas alterações na sua forma.
Pediu que preparassem a sala e lá fui eu. Deixaram a minha mãe assistir. Foi muito bom, senti-me mais calma.
Deitada na maca, o médico começa a preparar a anestesia. A assistente era um amor.
Bom, que horror, estar acordada de costas a sentir aquele liquido a entrar pelo meu corpo a dentro. Cada vez que ele picava eu sentia um peso maior, nas minhas costas. A certa altura, eu tinha a sensação que me tinham colocado, em cima, uma manta daquelas antigas, muito pesadas. Para o médico era bom sinal, significava que o local estava anestesiado. Então colaram-me um papel nas costas e lá começou a operação.
Não me consigo esquecer do som que aquela lâmina fazia ao cortar a minha carne, eu não sentia dor, mas, tinha a sensação que o médico estava a cortar rolhas de cortiça em cima das minhas costas. O meu coração começou a acelerar e lá tive que pedir ao médico para parar. Estava a sentir-me tão mal que já nem conseguia ouvir o que a minha mãe estava a dizer. E olhem que ela não se calou um minuto… nem um…
A operação teve que continuar. Não senti a linha a trespassar meu corpo mas senti-a o médico a puxar a linha. Que estranho, não quero repetir.
Finalmente acabou, podia ir para casa, sentia-me tão bem, tão mais leve. Claro, levei uns 30 pontos, tirou-me um bocado de carne enorme, claro que estava mais leve.
Dores, quais dores? Nenhumas, sai do hospital com vontade de ir dar um pezinho de dança.
Da minha casa ao hospital são 30 min. de caminho, quando cheguei a casa as dores eram horríveis, a anestesia tinha passado, e eu estava de volta à realidade, dores, dores, dores, analgésico, analgésico, analgésico.
Na minha cabeça a única coisa que eu tinha a certeza é que queria que me tirassem aquela coisa das costas.
Nesta altura, ainda nenhum dos meus amigos sabia de nada. Afinal digam-me como é que se conta uma coisa destas a um amigo. Olá tudo bem? Como vai a vida? Tenho cancro. Beijo. Foi por isto que não vos disse antes, desculpem-me. Na verdade até há pouco tempo tinha um medo horroroso de dizer a palavra cancro.
Decidi não ir procurar nada na Internet, quanto menos souber melhor.
No dia 3 de Dezembro lá estava eu ás 14h horas, na sala de espera, ansiosa, com medo, e a rir ás gargalhadas sabem como eu sou?
O médico chama-me, um Sr. com um sorriso tão doce e lindo que me só de olhar para ele fiquei mais calma. Pediu que me sentasse e lá começou o interrogatório.
Antes sequer de ver o sinal e depois de eu lhe ter contar o que o outro médico tinha dito, ele explicou-me com muito detalhe o que iria acontecer, caso o meu sinal fossa na verdade um cancro de pele.
Explicou-me que me iria retirar o sinal, com anestesia local e com alguma margem. Depois iria enviar o sinal para um laboratório para efectuar a biopsia. Se a biopsia informasse que era maligno, então iriam ter me operar de novo e retirar com mais margens de segurança e dependendo do tamanho da lesão poderiam ter que efectuar outra operação para retirar um gânglio. Parou de explicar ai e disse que tínhamos que ir um passo de cada vez. Não era necessário avançar mais até porque cada caso é um caso.
Só então depois desta lengalenga toda o Sr. Dr. Pediu para ver o meu sinal. Não comentou nada de especial, apenas disse que teríamos mesmo que o remover uma vês que cresceu de tamanho e tinha algumas alterações na sua forma.
Pediu que preparassem a sala e lá fui eu. Deixaram a minha mãe assistir. Foi muito bom, senti-me mais calma.
Deitada na maca, o médico começa a preparar a anestesia. A assistente era um amor.
Bom, que horror, estar acordada de costas a sentir aquele liquido a entrar pelo meu corpo a dentro. Cada vez que ele picava eu sentia um peso maior, nas minhas costas. A certa altura, eu tinha a sensação que me tinham colocado, em cima, uma manta daquelas antigas, muito pesadas. Para o médico era bom sinal, significava que o local estava anestesiado. Então colaram-me um papel nas costas e lá começou a operação.
Não me consigo esquecer do som que aquela lâmina fazia ao cortar a minha carne, eu não sentia dor, mas, tinha a sensação que o médico estava a cortar rolhas de cortiça em cima das minhas costas. O meu coração começou a acelerar e lá tive que pedir ao médico para parar. Estava a sentir-me tão mal que já nem conseguia ouvir o que a minha mãe estava a dizer. E olhem que ela não se calou um minuto… nem um…
A operação teve que continuar. Não senti a linha a trespassar meu corpo mas senti-a o médico a puxar a linha. Que estranho, não quero repetir.
Finalmente acabou, podia ir para casa, sentia-me tão bem, tão mais leve. Claro, levei uns 30 pontos, tirou-me um bocado de carne enorme, claro que estava mais leve.
Dores, quais dores? Nenhumas, sai do hospital com vontade de ir dar um pezinho de dança.
Da minha casa ao hospital são 30 min. de caminho, quando cheguei a casa as dores eram horríveis, a anestesia tinha passado, e eu estava de volta à realidade, dores, dores, dores, analgésico, analgésico, analgésico.
Estranho pensamento...
Se Deus existe? Bom, chamem-lhe o que quiserem Deus, Alá, Mahomé, energia cósmica, sim ele existe.
Na manhã seguinte à minha bizarra consulta, eu acordei com a nítida sensação que alguém me disse que teria que procurar outro sítio, para ser operada, e o mais estranho é que acordei com o nome desse sítio na cabeça. Como não tinha o número e estava atrasada para o trabalho pedi ao meu namorado para procurar o número na Internet.
E lá estava eu ás nove da manhã à porta do trabalho a tentar ligar para um hospital privado algures no Algarve. Ninguém atendeu, ainda era cedo.
Mais tarde liga-me o meu namorado a dizer que conseguiu falar com eles e que só tinham vaga para dali a 15 dias. Mas que iam ver se conseguiam fazer alguma coisa, uma vez que eu estava apavorada.
No final do dia lá me ligaram e informaram que o cirurgião chefe me podia fazer a operação, dali a menos de uma semana. Que alivio o meu coração saltitou de alegria.
Senti que tinha tomada a decisão correcta. Fiquei orgulhosa de mim.
Nota telemóvel: Cirurgia dia 3 de Dezembro, Dr. Sousa, Hospital privado.
Na manhã seguinte à minha bizarra consulta, eu acordei com a nítida sensação que alguém me disse que teria que procurar outro sítio, para ser operada, e o mais estranho é que acordei com o nome desse sítio na cabeça. Como não tinha o número e estava atrasada para o trabalho pedi ao meu namorado para procurar o número na Internet.
E lá estava eu ás nove da manhã à porta do trabalho a tentar ligar para um hospital privado algures no Algarve. Ninguém atendeu, ainda era cedo.
Mais tarde liga-me o meu namorado a dizer que conseguiu falar com eles e que só tinham vaga para dali a 15 dias. Mas que iam ver se conseguiam fazer alguma coisa, uma vez que eu estava apavorada.
No final do dia lá me ligaram e informaram que o cirurgião chefe me podia fazer a operação, dali a menos de uma semana. Que alivio o meu coração saltitou de alegria.
Senti que tinha tomada a decisão correcta. Fiquei orgulhosa de mim.
Nota telemóvel: Cirurgia dia 3 de Dezembro, Dr. Sousa, Hospital privado.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Dermatologista ou assassino profissional?
No dia 27 de Novembro de 2009 ás 15:30h lá estava eu na clínica à espera da minha consulta. Ainda hoje estou a pensar por que motivo marquei a consulta para as 15:30 se só fui atendida ás 17h. Enfim.
Depois de todo aquele tempo de espera entrei, o medico examinou o meu sinal nas costas e todos os meus sinais e ainda eu não me tinha vestido quando o médico me diz…”isso é um melanoma, é cancro de pele, mas eu ainda tenho vaga esta sexta-feira e posso opera-la numa salinha, não é necessário nada de especial e são 450€.”
Na minha cabeça naquele segundo só me ocorreu uma coisa, vou morrer. Agradeci ao médico e sai da sala, paguei na recepção, marquei a operação para sexta, sai à rua, olhei ao relógio e eram 17:15h.
Em 15min a minha vida desmoronou, não me lembro se senti frio, se senti calor, nem sei a quem liguei primeiro, senti um aperto enorme no coração, por momentos acho até que me senti feliz, que estranho sentimento no meio daquela confusão.
Falei com a minha mãe, com o meu namorado e só ai consegui desatar o nó que ia no meu coração, chorei como à muito não me lembrava de chorar, senti-me perdida e com raiva, cheguei a ficar com ódio de mim por ser tão burra, que nem tempo arranjava para ir ao médico.
Eu pensava que podia ir trabalhar morta, só agora é que percebi que os mortos não trabalham. Por isso meus amigos, para a saúde temos que arranjar sempre tempo, SEMPRE…
Culpei o médico de família por tudo e chorei até não ter mais forças, mentalmente cansada e farta de culpar outra pessoa pelo meu desleixo, finalmente, deixei-me dormir.
No dia seguinte, acordei a estranha ideia de que não poderia deixar aquele dermatologista fazer a operação. Pensando bem em tudo o que ele me disse, e na gravidade da situação pareceu-me até bizarra aquela consulta… e por momentos fiquei na dúvida se tinha ido ao dermatologista ou se me tinha ido encontrar com um assassino profissional.
Cheguei à conclusão que me tinha encontrado mesmo com um assassino profissional que me tinha dito …” A Sr.ª apanhou sol a mais e como tal vou ter que mata-la com uma arma, à porta de sua casa, não precisa ser nenhum sitio especial, nas sexta tenho vaga só tem que dar 450€”. Muito profissional!
Depois de todo aquele tempo de espera entrei, o medico examinou o meu sinal nas costas e todos os meus sinais e ainda eu não me tinha vestido quando o médico me diz…”isso é um melanoma, é cancro de pele, mas eu ainda tenho vaga esta sexta-feira e posso opera-la numa salinha, não é necessário nada de especial e são 450€.”
Na minha cabeça naquele segundo só me ocorreu uma coisa, vou morrer. Agradeci ao médico e sai da sala, paguei na recepção, marquei a operação para sexta, sai à rua, olhei ao relógio e eram 17:15h.
Em 15min a minha vida desmoronou, não me lembro se senti frio, se senti calor, nem sei a quem liguei primeiro, senti um aperto enorme no coração, por momentos acho até que me senti feliz, que estranho sentimento no meio daquela confusão.
Falei com a minha mãe, com o meu namorado e só ai consegui desatar o nó que ia no meu coração, chorei como à muito não me lembrava de chorar, senti-me perdida e com raiva, cheguei a ficar com ódio de mim por ser tão burra, que nem tempo arranjava para ir ao médico.
Eu pensava que podia ir trabalhar morta, só agora é que percebi que os mortos não trabalham. Por isso meus amigos, para a saúde temos que arranjar sempre tempo, SEMPRE…
Culpei o médico de família por tudo e chorei até não ter mais forças, mentalmente cansada e farta de culpar outra pessoa pelo meu desleixo, finalmente, deixei-me dormir.
No dia seguinte, acordei a estranha ideia de que não poderia deixar aquele dermatologista fazer a operação. Pensando bem em tudo o que ele me disse, e na gravidade da situação pareceu-me até bizarra aquela consulta… e por momentos fiquei na dúvida se tinha ido ao dermatologista ou se me tinha ido encontrar com um assassino profissional.
Cheguei à conclusão que me tinha encontrado mesmo com um assassino profissional que me tinha dito …” A Sr.ª apanhou sol a mais e como tal vou ter que mata-la com uma arma, à porta de sua casa, não precisa ser nenhum sitio especial, nas sexta tenho vaga só tem que dar 450€”. Muito profissional!
Etiquetas:
cancro de pele,
Dermatologista,
Melanoma maligno
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Ás voltas e voltas...
Em Dezembro de 2008, numa aula de actividade aquática adaptada, uma das minhas colegas comentou um sinal que eu tinha nas costas, um sinal que eu nunca tinha visto.
Em Janeiro de 2009, marquei consulta no médico de família, ele viu o sinal e disse “ não se preocupe o seu sinal só cresceu porque está por baixo do sutiã e como roça ele vai crescendo, mas para ficar mais descansada pode procurar um dermatologista.”
Mais descansada? Eu fiquei logo descansada, se o médico de família diz que não é grave, é porque não é grave! ERRADO. Se o médico de família diz que não é grave, deve-se procurar logo um especialista. E se o médico de família diz que é grave procurem um padre ou qualquer coisa do género porque estão quase a morrer.
Em Agosto de 2009, o meu sinal mudou de cor e começou a dar-me comichão.
Como não conhecia nenhum dermatologista perguntei a algumas pessoas, e finalmente em Outubro lá marquei consulta para um dermatologista perto do meu trabalho, alguém me tinha dito que era muito bom. Como o trabalho está sempre em primeiro lugar e a saúde está bem lá no fim, marquei para a última hora assim não teria que faltar ao trabalho.
No dia da consulta ligaram-me a dizer que teria que ir mais cedo. O dermatologista não tinha consultas até ás 17h e não ia esperar por mim. Disse que não, obvio, primeiro o trabalho!
Lá consegui marcar novamente consulta para o mesmo médico, nem sei porque o fiz, talvez para não me dar ao trabalho de procurar outro médico.
Consulta marcada para dali um mês e lá tive a decência de marcar para as 15:30h, já estava a ficar preocupada e não queria correr o risco de ficar mais outro mês sem consulta.
Nota no telemóvel: Consulta dermatologista, 27 de Novembro de 2009 ás 15:30h.
Em Janeiro de 2009, marquei consulta no médico de família, ele viu o sinal e disse “ não se preocupe o seu sinal só cresceu porque está por baixo do sutiã e como roça ele vai crescendo, mas para ficar mais descansada pode procurar um dermatologista.”
Mais descansada? Eu fiquei logo descansada, se o médico de família diz que não é grave, é porque não é grave! ERRADO. Se o médico de família diz que não é grave, deve-se procurar logo um especialista. E se o médico de família diz que é grave procurem um padre ou qualquer coisa do género porque estão quase a morrer.
Em Agosto de 2009, o meu sinal mudou de cor e começou a dar-me comichão.
Como não conhecia nenhum dermatologista perguntei a algumas pessoas, e finalmente em Outubro lá marquei consulta para um dermatologista perto do meu trabalho, alguém me tinha dito que era muito bom. Como o trabalho está sempre em primeiro lugar e a saúde está bem lá no fim, marquei para a última hora assim não teria que faltar ao trabalho.
No dia da consulta ligaram-me a dizer que teria que ir mais cedo. O dermatologista não tinha consultas até ás 17h e não ia esperar por mim. Disse que não, obvio, primeiro o trabalho!
Lá consegui marcar novamente consulta para o mesmo médico, nem sei porque o fiz, talvez para não me dar ao trabalho de procurar outro médico.
Consulta marcada para dali um mês e lá tive a decência de marcar para as 15:30h, já estava a ficar preocupada e não queria correr o risco de ficar mais outro mês sem consulta.
Nota no telemóvel: Consulta dermatologista, 27 de Novembro de 2009 ás 15:30h.
Etiquetas:
cancro de pele,
Dermatologista,
Melanoma maligno
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Lucy Moon

À excepção do meu nome tudo o que irão ler neste blog é a mais pura das verdades. Não irei omitir um único sentimento, nehuma palavra, nenhum acto. A minha mente será como uma lua de diamante. O meu nome é Lucy, tenho 28 anos de idade, sou uma rapariga igual a qualquer outra, não há em mim nada de especial. Vivo numa cidade normal á beira-mar, estudei, trabalhei, fiz amigos e inimigos. Sai á noite namorei, senti ciúmes, menti, magoei, fui magoada. Fiz tudo o que achei que devia fazer para me puder sentir viva. Neste momento, existe apenas uma coisa que me torna diferente da maioria das pessoas da minha idade. Foi me diagnosticado um melanoma maligno...um cancro de pele... Não sou certamente a única neste barco, mas achei por bem dizer ao mundo o que senti, o que estou a sentir, talvez possa ajudar alguém ou simplesmente farei isto para me ajudar a mim mesma. Não quero esconder a dor, quero dizer ao mundo que podemos e devemos sempre dar uma segunda hipotese a nós mesmos, devemos sempre lutar, procurar o porquê, dizer não e sim, devemos no minimo tentar. Não vos quero contar uma história triste, quero vos contar a verdade da vida de uma rapariga que perdeu o medo de dizer a palavra CANCRO...
Subscrever:
Mensagens (Atom)
